Ana Vífer

Ana Vífer

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Chá de simancol

Hoje tomei um chá de "simancol", hoje eu olhei com mais esperteza para tudo ao meu redor. Hoje eu percebi que pessoas são importantes para que continuemos vivendo, mas que é necessário selecionar essas pessoas.
Hoje eu percebi que gosto demais de mim e que quando me sinto sozinha, existe quem queira ficar ao meu lado o tempo todo.
Hoje eu acordei gostando mais daquelas pessoas que gostam de mim com minhas opiniões às vezes controversas, com minha simplicidade e que não vê como "errado" ou pobre.
Hoje eu sentei para lembrar da minha infância e de como eu sentava no chão para comer, que tomava chá assistindo desenho na casa da minha avó e não tinha os melhores brinquedos e ainda não tenho as melhores roupas e não frequento os lugares mais caros. Hoje eu assimilei como eu sou feliz sendo quem eu sou, cheia de defeitos, mas com o coração e a consciência limpos.
Parei para ver que às vezes preciso ter um pouco mais de malícia para separar as coisas.
Quem não me visita não precisa da minha visita. Quem não me liga não precisa da minha ligação. Quem não ri para mim não precisa do meu sorriso. Quem não faz por mim não precisa que eu faça por ele.
Jesus nos ensinou a amar quem não nos ama, e por mais que o coração doa, sei que algumas vezes vou amar quem não me ama e isso é dolorido. Talvez eu ame com força e sacrifício quem me ama no mínimo que se pode e isso vai doer também.
O que eu sei é que nunca faltará quem me queira bem, porque quem é sensível consegue entender a sinceridade das minhas atitudes e a clareza que há no meu coração.
É lamentável que ainda nos doemos para quem não sabe devolver e que sejamos amáveis com quem nos trata como a última opção. No fim das contas a canção não mente, além de Deus, o meu melhor amigo é o meu amor.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Análise, síntese, amor...

A medida com que o tempo vai passando, vou separando o que me infantilizava daquilo que me fez crescer e eu descobri coisas sobre o amor que nem em casa eu pude perceber. O amor é como um traço do DNA, ele é único em cada pessoa. A maneira de sentir, de demonstrar, de reconstruir ou de deixar morrer é diferente em cada uma das pessoas que o sente.
De qualquer forma, amar é aceitar o ruim e adquirir o que é bom. Mas existem coisas que são iguais em todos os amores verdadeiros, e são coisas que diferenciam o amor de uma paixonite qualquer:
Se ama alguém na enorme fila do supermercado, se ama alguém de manhã antes de trabalhar quando todos acordam feios e já chateados com a rotina que os espera. Se ama alguém quando traços de personalidade desconhecidos e ruins aparecem durante um dia estressante. Se ama alguém quando o medo do outro interfere nas suas escolhas de vida. Se ama alguém quando as famílias não são nem um pouco parecidas ou até nem se dão bem. Se ama alguém quando o saldo do banco fica negativo, quando a sogra se intromete. Se ama alguém quando as realidades são bem diferentes e isso não se torna motivo de muitas cobranças. Se ama alguém que tem um passado às vezes nem tão bom. Se ama alguém quando não existe intelectualidade que se torne obstáculo, nem de um lado e nem de outro.
Se ama alguém quando um dos dois adoece, e de repente é preciso virar pós-graduado em medicina. Se ama alguém quando o carro para na serra da praia e fica perigoso. Se ama alguém quando alguém que perdeu uma pessoa querida e essa dor enxuga a paixão. Se ama alguém quando as coisas ficam mais ásperas do que a delicadeza que ensinaram pra gente nos filmes de comédia romântica. Se ama alguém apesar dos contras, apesar do dia, apesar da hora, apesar do humor, apesar do dinheiro, apesar do medo e de qualquer outra coisa, um clichê: apesar dos pesares.
Você sabe que ama quando fica chateado com a atitude da pessoa e mesmo assim faz de tudo para não dormir com raiva, exercita sua paciência e tenta ceder suas opiniões e preferências para um bem comum. Você sabe que ama quando valoriza coisas como uma data, uma aliança, um cartãozinho, uma mensagem de texto que você não tem coragem de apagar, fotos e tudo isso tem é inestimavelmente valioso.
Você sabe que ama quando engole o ciúme como quem engole uma colher de farofa à seco, você sabe que ama quando contém suas palavras ruins em um momento de discussão.
É quando a vida tenta apagar as coisas pelo qual você se apaixonou e você faz a escolha de superar todas elas que você ama em maior escala. É quando existe uma necessidade enorme de estar perto e compartilhar tudo, mas tudo mesmo é que você vê que o que você sente é essencial para que você viva.
À todos os sobreviventes e bravos lutadores que se rendem ao maior e maior sentimento do mundo, sentimento do qual novelas e filmes não conseguem representar com exatidão e que muitas vezes o luxo e a fama estragam, meus parabéns! Entenderam que o amor é um sentimento de superação e bravura, é de ceder e de se entregar. Ah! E para fazer com que a luta seja mais branda, escolha alguém que esteja do mesmo lado que você, como eu fiz.

sábado, 24 de agosto de 2013

Não cabe.

Não cabe em mim.
Me transborda e transporta.
Não cabe no corpo, nem na mente.
Não cabe no espírito, nem na alma.
Não cabe no coração.
Me salta, exala.
Não cabe no alto do meu ser.
Não cabe no profundo do meu eu.
Não cabe nas palavras que profiro.
Não cabe no silêncio que guardo
Me consome, me envolve.
Não cabe no meu canto.
Não cabe no meu toque.
Não cabe no meu olhar.
Não cabe no meu carinho.
Me desmede, me sacode.
O seu amor não cabe no vaso que sou.
Nem na tigela que me fiz.
Não cabe na estrada que trilhamos.
Não cabe no guarda-roupa dos desejos.
Não cabe nas malas do futuro.
Não cabe no muro da individualidade.
Não cabe nos beijos.
Não cabe nos abraços.
Não cabe nos laços e os desata.
O amor não cabe na mulher que sou.
Não cabe na minha fortaleza.
Não cabe na minha fraqueza e nem na minha franqueza.
Não cabe nos meus hábitos.
Não cabe no meu orgulho.
Não cabe no meu mundo.
Não cabe na minha vida.
Mas é melhor que sobre amor... que sobre amor e eu sempre recolherei o que no chão cair.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Estrada

O amor tem curvas. Às vezes não dá pra fazer ultrapassagens, tem obstáculos. No amor se corre a dois, de mãos dadas e se um se cansa, o outro tem que parar e oferecer força.
O amor não é mão dupla, é viagem de ida e só de ida. O amor é cachoeira, não sobe as pedras, só as desliza.
No amor quando um tem sede, nem que o único líquido seja a saliva, deve-se dar.
Amor tem temporal, tem nuvem cheia, tem sol ardido e tem areia. O temporal às vezes desgasta o brilho da nossa pintura, e a nuvem cheia escurece nossos dias coloridos. O sol ardido às vezes traz delírios e a areia cega nosso olhar... Mas só por um tempo.
Porque quando a chuva passa e as nuvens se vão, a sombra fresca vem e a o vento se acalma fazendo a areia se aquietar, o amor floresce de novo lindo, vívido.
Não tem como saber como vai ser o final da estrada, mas não se pode parar e nem desistir. Se for preciso caminhar manco, rastejar-se, quebrar o ego no meio, sair das manias e dos costumes para que o caminho seja percorrido, que assim seja.
A todo custo, escolherei o amor e toda a sua essência, mesmo que ele tenha que tomar conta das minhas mais antigas convicções, das minhas maiores valias de juras de amor, dos meus mais exigentes contentamentos, eu dou lugar para o amor.

A TPM

Não existe nada pior que a minha TPM. Ela me pega de uma forma descomunal, sem dó e nem piedade. Enche meus olhos de lágrimas se estou feliz, se sou ignorada, se as coisas não são conforme as minhas expectativas, se me olham torto, se eu não ouço "eu te amo", se não vejo resposta nas minhas propostas. A TPM me arrasa, e sei que faz isso com um monte de outras amigas minhas. Ela nos sensibiliza de uma jeito que chega a ser ridículo, é cafona. Na TPM a gente ama mais, odeia mais e se não odiamos, passamos a odiar. Tem mais ciúme, fica extremamente carente de coisas que normalmente nem notamos a falta. Na TPM qualquer motivo é motivo para que um stress venha nos atormentar e o espelho vira inimigo. Dá raiva de nós mesmas, das nossas exigências, das nossas esquisitices, do nosso desespero. Aquela vontade absurda de chocolate e guloseimas que engordam e nos incham ainda mais do que já estamos inchadas nos deixam totalmente loucas!
Quem nunca chorou de madrugada numa crise de TPM? Quem nunca brigou com as pessoas por causa da TPM? Quem nunca brigou consigo mesma por causa da TPM?
Mas por que ela insiste em se manisfestar? Por que ela quer tanto nos tirar do sério e nos chatear? Por que ela nos leva a chatear as pessoas?
O namorado sofre, a mãe sofre, o pai sofre, o irmão sofre e nós sofremos mais do que todo mundo!
Só há um remédio eficaz: AMOR.
Amor com exagero, amor como raramente se tem, amor daqueles bem melosos de novela, amor declarado, amor apaixonado. Toda mulher de TPM gosta de amor. Não é de flores, nem de grandes declarações de amor, é do amor requisitado, é do amor implorado.
Porque na TPM nós entramos em um estado de queda de autoestima, de auto desvalorização, não vemos beleza em nós e isso mais do que emocional e biológico e incontrolável. A mulher satisfeita com o corpo se detesta e a confiante fica insegura.
Na TPM tudo que é simples fica complicado, o raciocínio muda e as ideias mudam. Quem ama sua casa quer se mudar, quem gosta de cães se apaixona por gatos, quem ama crianças passa a detestá-las e o contrário também acontece.
Existe outra cura plausível para a TPM também em alguns casos: SOLIDÃO.
Eu particularmente não sou esse tipo de mulher, pra mim quanto mais carinho melhor. Talvez eu seja uma mistura das duas coisas. Poucas palavras e muito carinho? Será? Talvez sim.
Para as que amam solidão, se isolam dos efeitos da TPM que pode estragar todo o humor de qualquer pessoa que a rodeie, o silêncio, estar encurralada a si mesma é o ideal. Não ter que explicar é mais fácil.
Eu fico imaginando para aquelas que tem que trabalhar e conviver com outras pessoas. Devia existir uma LICENÇA TPM para as mulheres. Incomunicáveis, sensíveis, aéreas, briguentas, enjoadas, doloridas, inchadas, com espinhas, malcriadas, malvadas, choronas...
Eis uma grande questão: Será melhor ter TPM ou não? O que nos separaria da rotina séria, civilizada e cautelosa se não fosse a tal "maledetta" TPM? Seriamos como aquelas mulheres que são iguais 365 dias por ano, sem metamorfose, sem o "encasular" da TPM e o "borboletear" da TpósM.
Sei que meu namorado que vai ser marido daqui um tempo terá que aguentar meus roupantes de personalidade até que a menopausa aplaque toda a beleza da minha TPM odiosa. Talvez minha filha ou filho fique descabelado com minhas alterações de humor. Só sei que minha feminilidade fica totalmente nua e exporta ao me ver em pleno estado de TPM, eu pouso sobre um eu desconhecido alguém que nunca vou gostar, mas que me ajuda a ser mais livre do que eu tenho que ser.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Meu, seu... NOSSO.

Conforme o tempo vai passando, os nossos laços vão se estreitando e o que é um simples namoro passa a ser o seu plano da vida inteira.
Comprar pensando nas finanças pessoais, não existe mais. Estudar pensando na riqueza do próprio intelecto, não existe mais. Ter uma família para satisfazer os desejos afetivos e o instinto materno, não existe mais. Planejar viagens sozinha, não existe mais. Tudo é feito em conjunto. 
Se comprar, é pensando nas nossas finanças e seu dinheiro não é mais só meu e nem há incomodo nisso. Se estudar, é pensando no que há para dividir com você. Família é para se fazer perpétuo o meu amor por você nos olhos dos nossos filhos e a dor de um parto nem é tão importante. Viajar, conquistar coisas, ver e sentir tudo durante a vida só tem graça se for acompanhada com você que faz tudo ficar melhor.
Até nos momentos separados pra estar sozinha e pensar na vida, existe aquela hora em que o pensamento voa com largas asas até você, meu amor.
Tudo vai se encaminhando para que o "eu" passe a ser "nós". O nosso carro, o nosso dinheiro, a nossa viagem, a nossa família, os nossos amigos, as nossas coisas, até mesmo as nossas roupas. "A sua blusa que me veste quando faz frio", "a minha meiazinha que cabe no seu pezão", as nossas alianças, o nosso futuro lar, os nossos futuros filhos.
Tudo vai ficando estreito, a mãe de um passa a ser a mãe do outro, o pai do outro passa ser o pai de um. O amigo dele é meu amigo, a minha amiga é amiga dele. 

E é tão bom quando podemos ir com confiança, é o NOSSO DEUS que nós servimos, são os nossos irmãos da igreja, são as nossas músicas, os nossos eventos, a nossa igreja, os nossos pastores. O meu cabelo passa a ter o estilo palpitado por você e o seu pelo meu.
São as nossas vidas, as nossas preocupações, as nossas orações, os nossos sonhos e eu quero sonhar com você todos os sonhos que combinam e aprender a sonhar aqueles que eu nem conheço ainda.
Nossas risadas, nossos choros, nossas histórias, nosso... nosso... nosso...
E o que é metade é nosso sonho que seja uma mescla, uma mistura, uma vida em dois corpos, um espírito em dois corpos, só a alma para ser pessoal.
É bom quando desde o começo temos respostas de Deus nas pequenas coisas, e no “seu que é meu, meu que é seu” existe uma grande resposta de Deus.
Quando não dói dividir, quando compartilhar é um prazer, quando se planeja para dois, quando se come a metade para o outro não sentir fome, quando existe prazer em doar o que é seu, aí existe real amor.

“Eu que o amo como amo a mim, lhe dou o que me cabe e o que me caberá. Porque dando o que é meu a ti, seu que nada me faltará. Se que quando lhe concedo, tu me concedes o que é seu, torna-me refém de todos os teus esforços e não quero mais sair. No amor, nada é perdido, tudo é ganho porque o que se faz com amor para o outro, recebe-se na mesma medida.”

- AnaVífer

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mais espaço para o que importa

O dia já começa turbulento, sono atrasado, correria pra sair de casa. Come-se rápido, o stress do transporte público, "bom dia" dado com mal humor.
Trabalha-se com vontade de chegar logo em casa, mas sempre há algo mais para fazer. O almoço segue corrido, digestão bem feita é luxo! 
Poucos sorrisos com coisas simples, poucas retribuições de afeto, falta de paciência até para quem diz "eu te amo". Parece errado, não é hora de amor, é hora de produzir. Notas pelo menos aceitáveis na faculdade já estão de bom tamanho, então concentração para não falhar no básico já que o dia já consumiu todas as energias.
Do amor fala-se pouco, para a mãe, para o pai, para os irmãos, para a esposa (noiva, namorada) e o stress traz a lembrança só do que não é bom, como se carregasse tudo o que é negativo consigo. É um sentimento de insatisfação, luta-se tanto para ter algo com que compartilhar com alguém, e cuida-se tão pouco do destinatário dessa luta. Dinheiro, dinheiro, dinheiro... roupas, sapatos, contas, emprego, chefe, professor, reitoria, cheques, cartão de crédito, restaurante, facebook, instagram, críticas, frustrações, exigências, descontentamento e um muro vai se erguendo dividindo nossos sonhos do motivo pelo qual deveríamos sonhar: PESSOAS.
"eu te amo", "obrigado", "está tudo bem", "me desculpe", "eu adoro estar com você", "senti sua falta", "bom dia, "boa noite", "com licença". Compreender, esquecer, deixar pra lá... enfim, ser leve. Lembrar-se do que realmente importa, as pessoas que amamos, as pessoas que nos amam e que suportam a nossa rotina, nossos compromissos, nossa falta de dinheiro, nossa falta de cuidado e todas as coisas que dividem os relacionamentos.
A resolução do problema? Não vou dizer... Uma simples reflexão trará todas as respostas. Uma dica? Não deixe o amor ficar de lado em meio as suas correrias, corra com ele nas mãos, lembrando sempre que ele deve ser o maior motivo pelo qual queremos possuir coisas.