Ana Vífer

Ana Vífer

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Meu, seu... NOSSO.

Conforme o tempo vai passando, os nossos laços vão se estreitando e o que é um simples namoro passa a ser o seu plano da vida inteira.
Comprar pensando nas finanças pessoais, não existe mais. Estudar pensando na riqueza do próprio intelecto, não existe mais. Ter uma família para satisfazer os desejos afetivos e o instinto materno, não existe mais. Planejar viagens sozinha, não existe mais. Tudo é feito em conjunto. 
Se comprar, é pensando nas nossas finanças e seu dinheiro não é mais só meu e nem há incomodo nisso. Se estudar, é pensando no que há para dividir com você. Família é para se fazer perpétuo o meu amor por você nos olhos dos nossos filhos e a dor de um parto nem é tão importante. Viajar, conquistar coisas, ver e sentir tudo durante a vida só tem graça se for acompanhada com você que faz tudo ficar melhor.
Até nos momentos separados pra estar sozinha e pensar na vida, existe aquela hora em que o pensamento voa com largas asas até você, meu amor.
Tudo vai se encaminhando para que o "eu" passe a ser "nós". O nosso carro, o nosso dinheiro, a nossa viagem, a nossa família, os nossos amigos, as nossas coisas, até mesmo as nossas roupas. "A sua blusa que me veste quando faz frio", "a minha meiazinha que cabe no seu pezão", as nossas alianças, o nosso futuro lar, os nossos futuros filhos.
Tudo vai ficando estreito, a mãe de um passa a ser a mãe do outro, o pai do outro passa ser o pai de um. O amigo dele é meu amigo, a minha amiga é amiga dele. 

E é tão bom quando podemos ir com confiança, é o NOSSO DEUS que nós servimos, são os nossos irmãos da igreja, são as nossas músicas, os nossos eventos, a nossa igreja, os nossos pastores. O meu cabelo passa a ter o estilo palpitado por você e o seu pelo meu.
São as nossas vidas, as nossas preocupações, as nossas orações, os nossos sonhos e eu quero sonhar com você todos os sonhos que combinam e aprender a sonhar aqueles que eu nem conheço ainda.
Nossas risadas, nossos choros, nossas histórias, nosso... nosso... nosso...
E o que é metade é nosso sonho que seja uma mescla, uma mistura, uma vida em dois corpos, um espírito em dois corpos, só a alma para ser pessoal.
É bom quando desde o começo temos respostas de Deus nas pequenas coisas, e no “seu que é meu, meu que é seu” existe uma grande resposta de Deus.
Quando não dói dividir, quando compartilhar é um prazer, quando se planeja para dois, quando se come a metade para o outro não sentir fome, quando existe prazer em doar o que é seu, aí existe real amor.

“Eu que o amo como amo a mim, lhe dou o que me cabe e o que me caberá. Porque dando o que é meu a ti, seu que nada me faltará. Se que quando lhe concedo, tu me concedes o que é seu, torna-me refém de todos os teus esforços e não quero mais sair. No amor, nada é perdido, tudo é ganho porque o que se faz com amor para o outro, recebe-se na mesma medida.”

- AnaVífer

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mais espaço para o que importa

O dia já começa turbulento, sono atrasado, correria pra sair de casa. Come-se rápido, o stress do transporte público, "bom dia" dado com mal humor.
Trabalha-se com vontade de chegar logo em casa, mas sempre há algo mais para fazer. O almoço segue corrido, digestão bem feita é luxo! 
Poucos sorrisos com coisas simples, poucas retribuições de afeto, falta de paciência até para quem diz "eu te amo". Parece errado, não é hora de amor, é hora de produzir. Notas pelo menos aceitáveis na faculdade já estão de bom tamanho, então concentração para não falhar no básico já que o dia já consumiu todas as energias.
Do amor fala-se pouco, para a mãe, para o pai, para os irmãos, para a esposa (noiva, namorada) e o stress traz a lembrança só do que não é bom, como se carregasse tudo o que é negativo consigo. É um sentimento de insatisfação, luta-se tanto para ter algo com que compartilhar com alguém, e cuida-se tão pouco do destinatário dessa luta. Dinheiro, dinheiro, dinheiro... roupas, sapatos, contas, emprego, chefe, professor, reitoria, cheques, cartão de crédito, restaurante, facebook, instagram, críticas, frustrações, exigências, descontentamento e um muro vai se erguendo dividindo nossos sonhos do motivo pelo qual deveríamos sonhar: PESSOAS.
"eu te amo", "obrigado", "está tudo bem", "me desculpe", "eu adoro estar com você", "senti sua falta", "bom dia, "boa noite", "com licença". Compreender, esquecer, deixar pra lá... enfim, ser leve. Lembrar-se do que realmente importa, as pessoas que amamos, as pessoas que nos amam e que suportam a nossa rotina, nossos compromissos, nossa falta de dinheiro, nossa falta de cuidado e todas as coisas que dividem os relacionamentos.
A resolução do problema? Não vou dizer... Uma simples reflexão trará todas as respostas. Uma dica? Não deixe o amor ficar de lado em meio as suas correrias, corra com ele nas mãos, lembrando sempre que ele deve ser o maior motivo pelo qual queremos possuir coisas.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Compreensão

Compreensão é, por exemplo, cogitar que o preguiçoso seja alguém que se sente incapaz. Que o murmurador seja alguém pouco motivado. Que incrédulo seja alguém infeliz com a fé que lhe foi apresentada. Que o "bobo" seja alguém cansado de discutir. Que o "mole" seja alguém inapto a brigar. Que alguém que foi falso seja alguém confuso ou diplomático demais. Que o lunático seja alguém que viveu uma realidade bruta demais. Ser compreensivo é colocar um "porém" em todas as críticas pré elaboradas, é tentar encontrar uma fraqueza em quem te incomoda de alguma forma. Ser compreensivo é saber que aquele que parece insensível já pode ter sofrido demais. Há muitas formas de compreender, você pode aceitar simplesmente, manter-se longe para se proteger ou ajudar por amor ao próximo e só.
Compreender é saber que nem tudo é sem motivo, que todos tem um passado, que dores são diferentes em cada corpo e em cada mente, que sentimentos ruins mancham um caráter, que poder pode subtrair escrúpulos, que informação distorcida pode trazer preconceitos e que quem mensura suas mazelas são as pessoas que as sentem.
Compreender às vezes é colocar-se no lugar do outro, muitas vezes perceber que não seria capaz de imitá-lo e ainda sim, preferir não apontar. Compreender é calcular-se, medir-se, examinar-se e reconhecer que não se pode fugir de ter defeitos.
E se no fim das contas, chegar a conclusão de que não existe como aceitar ou compreender certas coisas... afastar-se e filtrar o que parece bom.

sábado, 27 de julho de 2013

Hoje...

Hoje eu só queria a liberdade.
Ser livre da sociedade que malda, dos contratempos que aprisionam, da superioridade de quem me sustenta, das más condições financeiras, do tempo que determina, das horas que não passam, da raiva que corrói, do medo da solidão, do sentimento de mãos atadas, da minha própria impaciência, da minha ineficiência. Hoje eu só queria poder escolher mais, ser menos dependente. Hoje eu só queria poder chorar até desidratar, não escutar de ninguém que é bobagem e que meu motivo é pequeno. Hoje eu só queria a melhor companhia que eu tenho na minha vida bem pertinho de mim. Eu sou um ser dramático e dependente das vontades do meu coração e não me importo em sofrer por saudade, eu me sinto humanizada por me desesperar ao querer. Enquanto tanta gente descaracteriza o amor, eu continuo preferindo o inocente, puro, sofredor, incansável e genuíno amor.
Hoje eu queria ter asas e não dizer o destino do meu voo, nem o ninho onde eu quero ficar. Hoje eu queria ficar invisível para o mundo e visível somente pro meu amor.
Sei que amar é luta diária e constante e que às vezes o dia simplesmente te nega o prazer de estar perto, mas só quem sente o buraco no peito e a falta de ar, a vontade de se encolher e de se calar sabe como é querer.
Hoje eu queria poder ordenar "que haja possibilidades", ou simplesmente me despreocupar de vez. Mas a segunda opção é simplesmente inviável quando meus olhos procuram em volta e não conseguem encontrar aquele que tem o poder de alegrar meu dia.
Hoje eu queria não ter que esperar pelo dia de amanhã, mais do que ouvir a voz dele, estar com ele.
Hoje eu queria a minha própria vontade, só o meu desejo. Hoje eu queria um beijo.
Hoje eu queria estar rindo, mas só estarei feliz amanhã... Por um curto espaço de tempo, porque o tempo nunca me perdoou e nem me favoreceu.
Hoje eu só queria estar nos braços daquele que também me espera, como é injusta a espera... Hoje eu queria muitas coisas, mas a única que me sobrou foi eu.

Cantar.

Do fundo do meu peito, com os pulmões cheios de ar. Da minha cabeça cheia de intenções e tantas outras interações. Das minhas fossas nasais, que se transformam em poços de límpidos. Das minhas costelas, que se abrem e fecham como asas. Da minha garganta, das cordas que toco com os ares como mares correm vibrando e vibrando, ecoando pelas bochechas, acariciando o céu da boca. Minha voz.
Quando eu canto, exijo de mim, exijo do meu corpo seu trabalho mais esforçado. Técnicas, talvez se confundam tantas vezes com meu extinto de viver pra cantar. Cada nota que meus lábios de ajudam a amplificar, somada as palavras me trazem a dimensão exata do prazer que é cantar.
Cantar e ver o ventre estufando, as mãos ajudando a lembrar os acordes, os pés dançando, e a mente contando o tempo. Meu corpo canta, elabora o grave em meio a minha face, distrai-me com os agudos vindos do meu diafragma. Cantar é espiritual, o canto toma dimensões inexatas às nossas percepções humanas.
Pra mim cantar é o que me salva todos os dias, é a certeza de que eu sou boa em alguma coisa. Solo ou em grupo, eu sei que ainda há muito a percorrer. Desbravar a simplicidade, explorar o mais complicado, criar meu estilo, usar meu timbre que é minha digital.
Eu nunca vou me cansar de aprender a minha voz e aperfeiçoá-la, simplesmente por ela não me pertencer, mas ser dádiva do Mestre para Ele mesmo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Menos ácido!

Vivemos contando passos alheios, recrutando métodos de conduta. Vivemos calculando atos de sobriedade e bom caráter.
Vivemos cobrando transparência, cobrando menos hipocrisia, menos falação, menos julgamento. Vivemos lutando para que todas as pessoas sejam exatamente como nós somos. Queremos viver rodeados de pensamentos iguais ao nossos, mesmas causas, mesmas lutas, mesmos assuntos, mesmos dilemas, mesmo sonhos e consequentemente, menos identidade.
Nós sempre queremos uma sociedade perfeita, mas somos incapazes de nos cobrar pela nossa maneira de pensar. Eu mesma, se pudesse, teria pessoas com cérebros funcionando exatamente como o meu funciona, viver rodeada de pessoas parecidas comigo.
Nós somos pequenos e nossa pequenice é expressa na aversão pela diversidade. As pessoas deixam de gostar por discordar de alguém, deixam de amar por não aceitar a criação de alguém, deixam de querer porque não aceitam os pensamentos de alguém. E o pior de tudo, deixam de respeitar os desejos das pessoas simplesmente porque discordam.
É normal discordar daquilo que fere, que é ilícito, que é feio, que é violento, que prejudica os outros... Discordar de coisas assim demonstra bom senso. Mas é ruim que ainda estejamos discordando de personalidades, como elas pudessem ser mudadas pelas nossas mãos. Como se pessoas fossem feitas de massinha de modelar, onde empregamos nosso estilo de vida nelas, fazemos delas androids programados para ser uma cópia de nós.
Por experiência própria descobri que os que mais criticam, são os maiores alvos de críticas porque abrem precedentes pra isso, simplesmente colhem o que plantam. Hoje me policio para criticar menos, para me calar mais, aprender com o silêncio. Deixo minha malícia e minha crueldade serem abafadas e mortas pela minha sensibilidade e compreensão. Aprendi a requerer menos das pessoas, porque elas são o que faz o mundo ser completo. Tem sempre alguém que gosta da pessoa que você não gosta, tem sempre alguém que vê beleza naquele que você não vê, tem sempre um que seja, que é atraído pela personalidade que te irrita e tudo isso porquê ninguém precisa ser igual a ninguém, é justamente o contrário, cada um precisa ser o que realmente é e se auto-aperfeiçoar por si mesmo e não para se moldar a qualquer opinião ignorante (pelo fato de conhecer pouco) que seja.
É nessa perspectiva que chegamos ao princípio de que quem andará com você, andará por gostar de quem você é e mesmo vendo algo que incomode, suportará por gostar de você.
Não sejamos sombrios, não tenhamos tendência a humilhar ninguém, não sejamos críticos demais, não sejamos o tempo todo maliciosos. Vamos desconfiar na medida certa, falar do que vimos e sabemos de fato, e se por acaso surgir uma crítica, que seja sobre quem realmente conhecemos a fundo.
Ninguém sabe com perfeição as intenções de ninguém até conhecer bem. A acidez dos nossos pensamentos deterioram nossa personalidade.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Eu e meus amigos...

Andei pensando sobre essa coisa de amizade, descobri que tenho poucos amigos.
Uns passaram e deixaram um amor enorme dentro do meu coração, outros nem faço questão. Alguns amigos lembram de mim sempre, sabem minha cor preferida, o que me chateia, o que me faz entrar numa briga, mas não estão dispostos a respeitar meu tempo necessário de silêncio.
Outros não sabem muito quem eu sou, só gostam de estar por perto e descobrem fácil quando preciso e quero ficar sozinha.
Amizade é tão relativo. É dolorido quando algum amigo fala nas suas costas algo que você entenderia se fosse falado com amor diretamente pra você. É ruim perceber que deixou escapar segredos pra quem não merecia sua confiança. É difícil continuar a amar pessoas que te decepcionam e mesmo assim, continuar a amar. Não mais admirar, só amar.
A vida foi limpando meus círculos de amizade e foi me dando ciclos de amizade. Amizades vem, duram um tempo, vão embora, mas me sinto bem porque sei que dei o melhor de mim.
Não gosto de ficar grudada, nem gosto de ser muito visitada, também não gosto tanto de visitar. Não tenho assunto o tempo todo, não estou acostumada a bajulação, nem sempre vou bajular.
As pessoas querem fazer da amizade um relacionamento, um compromisso... é como monopolizar um órgão livre e eu não consigo viver dando explicações o tempo todo, não gosto de cobrança de amigo.
A amizade é difícil pelo simples fato de que nada o compromete, a única coisa que te move a manter a amizade é o amor.
Sei que quem me ama me aceita do jeito que eu sou e consegue me entender e me ler, me respeitar e entender seu lugar em minha vida, entender a hierarquia dos meus sentimentos, das prioridades que eu já organizei.
Eu sinto falta de amigos que me fizeram mal, mas que nem sabem que eu soube do que me fizeram. Sinto falta de gente que não tive tempo de criar um laço bem forte que ultrapassasse o tempo e a distância. Sinto falta de pessoas que não tem boas influências pra mim e por ordem de prioridades, tive que escolher a minha integridade.
Sinto falta até de quem não conquistei e não vou conseguir conquistar, porque já me rotularam, já me sentenciaram e não querem descobrir além do que criaram em sua imaginação.
Só uma coisa me tranquiliza, os raros amigos que me sobraram estão sempre comigo, sempre e sempre me entendem e sempre vão ver além dos meus T.O.Cs, das minhas críticas, da minha timidez, da meu olhar de menina metida, do meu namoro que está em um ranking alto na minha lista de prioridades, da minha casa humilde, da minha falta de dinheiro, da minha falta de abraços, do meu passado conturbado e de tudo o que poderia estragar um sentimento de amigo.
Conto minhas amizades nos dedos das mãos, talvez de uma mão só. Alguns são do meu sangue, mas não conseguem ter uma amizade verdadeira comigo, outros são amigos dos meus amigos e são obrigados a conviver comigo, eu sei bem de tudo isso.
Mas quando penso em tudo o que os meus verdadeiros amigos fizeram por mim e o quanto me valorizam, eu sei que atingi um patamar absoluto de conquista pessoal.
Por isso, eu aconselho: ame seu amigo, mas deixe-o livre, espere ser solicitado, não seja invasivo. Respeite a educação que ele recebeu, acompanhe ele na caminhada da vida sem ficar tirando todas as pedras que aparecerem no caminho dele. Descubra o que ele quer de você, mas se você não for capaz de dar, converse e diga que não pode. Seja extremamente sincero, mas procure nunca machucar com suas palavras. Se cansar, dê um tempo. Se sentir falta, ligue. Pergunte coisas, esclareça fatos. Amizades verdadeiras são raras, as minhas são.