Ana Vífer

Ana Vífer

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Músicos...

Vivem de acordes esses rapazes flutuantes em pautas a poetizar os dias de mulheres como eu que são guiadas pelo som.
São eles sensíveis homens encantados por poder ser ídolo de muitos, ou quem sabe de uma garota só. Esses moços, responsáveis por fexar os olhos de uma mulher sem tocá-la, por beijá-las com palavras cantadas, por abraçá-las com solos de seus instrumentos lindos por si só.
Desfarçam em alguns casos sua falta de beleza escondidos atrás de um saxofone, um cello, um trombone. Realçam às vezes o rosto lindo tocando um violão, abraçando um violino, acariciando um piano. São esses homens de alma cantante que encantam meninas de ouvidos apurados pra canção.
Músicos, lindos por serem artistas, por serem excêntricos, por serem únicos, por serem diferentes de todas as outras classes de homens, por serem mais pensantes, por serem mais conectados com o que pode ser um sentimento. Por saberem expressar, eles são meus preferidos por eu poder compartilhar meu amor pela música e por tudo o que ela pode proporcionar.
Quero dividir meus dias com alguém que sente na sala e toque para eu cantar, com quem louve tanto quanto eu na casa do Pai, que me corrija quando eu desafinar, de ouvidos apurados, de dedos coordenados, que componha para nosso menino uma canção de ninar. Que ouça música com cultura, que seja fã da MPB, que curta Mayer, Vercillo, Handrix, e tudo o que de melhor há.
Quero meu amor descrito em letras, canção, voz e violão.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um surto faz bem... =)

E aí você quer resolver tudo. É uma ânsia de chegar um dia no qual você nunca sabe quando será. E aí coisas te passam pela cabeça e você não sabe se fica louca, histérica, neurótica ou todas essas coisas juntas somadas a uma felicidade estranha, como se estivesse à um passo de conquistar o que não só quer, mas como precisa.
Toma banho de água fria, come e come mais, tenta se aquecer depois e emagrecer tudo o que comeu. Chora e ri porque tudo acontece ao seu favor e ao mesmo tempo parece bobagem de menina de 15... A vida é mesmo cruel com essa coisa de sentimentos, e eu odeio sentimentos, mas quero vivê-los e não sei falar de outra coisa que não sejam sentimentos.
E aí você descobre que já está na merda e que agora tanto faz falar ou guardar as palavras, descobre que pior do que já está não pode ficar e que nisso tudo há uma ou mais chances de que tudo dê certo, quanto muitas chances também de ficar na porcaria que já está.
Usa novas táticas, novos termos e aprende a dizer não. Olha... se eu soubesse que dizer "não" surtiria tão bons efeitos, já tinha feito isso antes. Aprende a sutileza de uma frase dita na hora certa e do jeito certo. Aprende que por mais que você já tenha um dia feito um monte de coisas pra tirar de perto de você quem você mais quer, o tempo apaga todas essas coisas e te dá talvez uma nova chance.
Eu não sei de mais nada, quase tudo está tão incerto quanto o dia de amanhã. Por mais que eu planeje e fique horas pensando em como agir e o que dizer, nada nessa vida me pertence, pertence a Deus.
Minha humanidade quer me fazer mais desesperada ainda por respostas, mas meu espírito descansa no Senhor e em suas gentilezas.
E se realmente eu merecer esse amor, vai ser lindo como nas histórias, feliz como nas canções e intenso como deve ser.
Tantos anos e eu só quero dizer que te amo... Te amo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De volta pra casa

Juntei todas aquelas coisas boas... Os sorrisos, os beijos, abraços, carinhos e coloquei dentro da memória, junto com a minha camiseta branca de tartarugas, meu all star sujinho, e minha escova de dente.
Eu não sei se ele percebeu, mas eu já havia ido embora fazia um tempo, o que ficou foi uma imagem de mim que nem eu mesma deveria ter passado, eu não estava lá... Me desculpa, mas eu realmente não estava.
E eu sentei na linha do trêm, com fones no ouvido, mal conseguia ouvir qualquer grande ruido. Eu estava indo pra casa dele, e eu sei que mesmo lá pra mim não teria lugar. Mas eu quis ir, eu fui... Por incrível que pareça, eu fiquei.
Agora que ele já sabe que eu já estou longe, meu alívio é quase incômodo, quase me traz culpa, mas quer saber? É muito bom!
Liberdade pra tudo, pra mim, pra Deus. Nada mais me prende, eu posso de novo sugar a vida com canudinho e ficar bem "bêbada de escolha".
Na escrivaninha dele tem um bilhete escrito:
"Quando você ler, já estarei dentro do trêm. Tô voltando pra casa, e lá em casa eu vou ficar. Depois te ligo, explico, a gente resolve o que não há pra resolver. Obrigado por ter sido meu."
Mal cheguei em casa, e já me mudei... E ele nem sabe que no fundo, estive poucas vezes lá com ele.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

João-de-barro

O João-de-barro é um passaro que tranca sua fêmea dentro do ninho. Ele faz o ninho com terra e pedacinhos de arbusto que encontra e o faz no alto as árvores, ou num poste qualquer. Ele canta em dueto com sua amada e canta bem alto para que todos ouçam que existe união entre os dois.
É isso que eu quero ser, a fêmea presa a você, aos seus desejos... Quero ficar sem saída, sem volta, sem decisão. Quero me submeter sem olhar para trás, sem querer o passado, sem querer ser livre.

Cantar cada canção debruçada em cima da sua voz.
Qualquer um pode notar agora meu olhar distante, sua boca, do qual eu sentia tanta falta veio me fazer lembrar como era bom o gosto de intimidade que um dia eu senti.
Meu João-de-barro, vem fazer seu ninho em volta de mim! Vem prender no teu canto estridente, vem me enriquecer com o seu calor.
Sei que agora me faltam as palavras, só quero fechar os olhos e lembrar do cheiro das tuas penas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Você é todo o som


Se lembra como é recolher meu sorriso com suas cócegas desenfreadas?
Se lembra como faz pra que eu olhe dentro dos teus olhos, te faça promessas com o aperto do abraço?
Desajeito todos os dias minhas lembranças, tiro tudo do lugar. Desarrumo todas as confianças em mim tentando entender o que um dia te fez gostar só de mim e ser somente meu.
Meu Deus! Como eu gosto do seu formato, do quanto é exato seu maxilar, seus artelhos, seus cabelos, seu jeito de falar. Como eu amo a sua voz, como eu amo te escutar em um verso simples de Caetano eu posso até imaginar.
Cada pausa do seu violão e uma ânsia para voltar a te ouvir tocar aquelas notas que tanta gente sabe, mas que só na pontas dos teus dedos tem sonoridade o bastante pra me fazer viajar.
Quero fazer parte de novo do dedilhado, do foxtrot ao luar. No meio da rua, à sós vendo as estrelas a presenciar nosso dueto, em um rítmo perfeito cada nota soar. Quero forçar minha voz, subir uma oitava do meu tom ou mais só pra te acompanhar... Só pra ser seu par, pra ser a metade que te falta na música, na vida e em tudo o que você deixar e que se dane a rouquidão, já que de qualquer maneira com você eu fico sem fala, só consigo cantar.
Quero você no andamento da minha vida, nas linhas da minha pauta só quero teu nome escrito. Cada nota prolongada que eu canto só exemplificam o quanto eu consigo te esperar, cada staccato que eu faço mostra a intensidade do pulsar do meu coração.
Você é exatamente todo som que eu consigo emitir e todo som que eu consigo escutar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nem felicidade, nem descontentamento.

O que fazer quando você se depara com um buraco?
Quando simplesmente não há paredes que o contenha, nem teto que o abrigue, não há porta que o proteja, não há chão que o sustente?
O que fazer quando fica tudo tão vazio e nada do que acontece ao redor é suficientemente grande para suprir a lacuna da vida?
Desconheço agora a satisfação e mesmo a satisfação comigo não tem mais interação. Há um vácuo sentimental, um eco dentro do coração, e me sobra fôlego por isso. Correr em campo aberto, sem tocar os pés no chão não me faz cansar, não me faz suar, não tonifica minha alma, não exercita meus sentimentos.
Não existe saudade, não existe desejo e nem falta de interesse. Não existe choro e nem sorriso, não existe atitude e nem inércia, nem felicidade e nem descontentamento. Não há nada, talvez costume, mas costume significa ausência de atitude... Minha ou da vida.
Quantas vezes vou pegar a trilha circular? Quantas vezes me deparar com a mesma paisagem? Quantas vezes me equilibrar em um fio de vento solto pelo ar?
Quero chão, casa, sossego, amor, apego, família, destino, realidade, quero enfim me cansar.
Preciso sentir os pés no chão, a arrogância de uma chuva de verão, o rigor de um frio no inverno, o sabor de cada fruta do outono e o cheio das flores se abrindo na primavera. Justamente agora, não quero mais pairar em projetos, não posso mais esperar que aconteça, eu quero ver acontecer. E só vou descansar quando viver a vida me fizer salivar de desejo por viver.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Verdes cor-de-mar


Eu aprendi a viver os momentos da vida, curtir como se fosse a ultima viagem, o ultimo dia, a ultima risada, o ultimo verso e o ultimo amor.
Aprendi que dá pra chamar de amor quem não se ama, mas a quem se quer bem. Aprendi que nada é definitivo e que não precisamos ser perfeitos, até porque isso é impossível.
Aprendi dormir muito faz mal, que comer muito faz mal, que gritar muito faz mal e que amar muito só faz bem quando esse sentimento não tem pretenção de acabar. Tudo o que é demais faz mal, tudo que é de menos é insignificante e tudo que vem na medida certa faz diferença na vida.
Aprendi que não é possível gostar de dois alguéns ao mesmo tempo, e que em algum momento você vai deixar de querer algum pra ficar com o outro.
Agora eu sei reconhecer falhas no caráter de alguém e deixar essas pessoas fora do meu caminho, porque defeitos que estão do lado de dentro são muito mais feios do que os que vem com a genética do lado de fora.
Aprendi que cicatrízes são lembranças de uma sobrevivência e de superações. Também sei que sentimentos são construídos todos os dias e não é necessário estar junto pra se fazer presente.
E como eu evoluí!
Sei bem hoje, que quem me faz bem não precisa me bajular, nem jurar amor eterno, nem se sacrificar por mim e nem viver aos meus pés. Quem me faz bem precisa ser o que faltava dentro de mim, quem faz com poucas palavrinhas ou até mesmo com apenas um jeito de olhar minha auto estima flutuar. Quem me faz bem só precisa deixar que eu veja os olhinhos se fecharem quando beijo um ladinho só dos lábios, sem tanta malícia sabe aproveitar uma tarde quente com assuntos intermináveis sobre Deus, gente e HQ's, e uma noite de risadas ao luar.
Quem me faz bem recolhe meu coração sem fazer barulho, sem promessas que não sabe se vai conseguir cumprir, sem mentiras, com todo aquele passado que eu nem queria saber... Mas que veio com ele e se ele veio, que seja completo. Quem me faz bem, existe pra isso e se chegar ao fim, ainda vai fazer parte da história onde fui feliz por trás dos olhos verdes cor-de-mar.