Ana Vífer

Ana Vífer

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sem "poréns".

Senhor, eu oro hoje porque minha vida está sem pé e sem cabeça. Não sigo mais, eu estou vagando e isso tem me deixado triste. Justo eu, Senhor, que sempre tenho um impulso de felicidade para oferecer, eu, Senhor...
Meu coração não fala mais comigo, mal conheço ele. Não sei o que ele realmente deseja, meus pensamentos se perdem. Eu busco encontrar as respostas por todos os lados, logo agora que eu sou mais madura, mais forte, simplesmente não tenho espaço para decidir, para sonhar, para querer.
E eu quero chorar, mas até as lágrimas andam fugindo do meu rosto, elas sabem o vazio que as espera. Minha boca anda sem sabor, sem sede, nem tenho também salivado demais. Cada sentimento que eu tento exprimir se resume em uma espera constante de algo que eu não sei se vai chegar, na verdade eu nem sei do que se trata esse algo.
Vivo rodeada de gente, me sinto mesmo assim isolada do mundo. O que está acontecendo, Senhor?
Por favor, Jesus, que a minha oração não seja arquivada para amanhã, que ela seja lida hoje. Sente-se aqui ao meu lado, Jesus. Não se esqueça de que peco por fraqueza e que tenho tentado melhorar. Hoje eu preciso de colo, de auxílio, amparo, direção, meu Jesus.
Yeshua, se queres mudar minha vida hoje, não faço mais observações no final das minhas orações. Dispenso os "P.S.'s", não tenho mais "poréns" para Lhe pedir que tome o volante da minha vida. Não me deixe interferir nas Tuas escolhas, que eu possa entregar tudo sem me preocupar. Me ajude a confiar mais em Ti, a esperar as Tuas promessas sem cobrá-las porque eu preciso não só saber que os Teus planos não podem ser frustrados, eu preciso confiar nisso, descansar nisso, ter certeza disso.
Não deixe que minhas falhas insistentes me impeçam de alcançar as Tuas promessas.
É o que eu te peço hoje, Paizinho.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Hoje...

Hoje eu preciso do direito de me entristecer, de chorar, de me perguntar o porquê das coisas. Hoje eu preciso do espaço que o silêncio pode trazer. Preciso reservar minhas palavras, entender minhas mágoas. Hoje eu preciso de mim.
Hoje eu preciso sentir aquela saudade que quebra o coração no meio, preciso entender minhas perdas, minhas frustrações. Hoje nenhum abraço, nenhum conselho, nenhum ombro é amplo o suficiente para que eu me abra, hoje eu preciso que Deus recolha minhas poucas palavras.
Hoje eu preciso fechar a cara, quero que se dane o mundo e o que as pessoas sentem ao me ver assim. Hoje eu quero ficar aqui, não há o que me distraia.
Preciso me lembrar de algum olhar que me traga paz, preciso do calor que eu já não tenho mais.
Hoje eu queria só um pouco do amor que um dia eu soube dar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

São Paulo, minha cidade...


Minha querida cidade de São Paulo,
Me perdoa se um dia eu reclamei demais de você. Hoje eu vejo que você é uma cidade linda cheia de feridas e está um tanto adoentada, mas não é certo te deixar pelo que deu errado, quero te abraçar para que dê tudo certo.
Amo quando você fica cinzenta de raiva e depois de chorar muito sobre suas ruas, traz núvens no seus lindos olhos celestes.
Amo suas tatuagens de grafite pelas paredes, seus piercings de edifícios e lojas escandalosamente iluminadas. Amo seus músculos de puro concreto e asfalto, seu cabelo colorido pelos moradores de todas as raças. Sua voz estridente de buzinas, vendedores ambulantes e música bem alta.
Seu jazz saxofonado nas linhas do metrô, sua street dance importada na sua periferia, as pessoas maravilhosas que moram em casinhas feitas de madeira no meio da favela que criaram sua própria linguagem, seu próprio habitat dentro do morro.
Os moleques piranha, as minas zica, os mano e as mina pá, eu já aprendi a respeitar. Me perdoa, São Paulo, porque hoje eu compreendo que os loucos que você deu a luz, são loucos de bom coração, que apesar dos palavrões e gírias, são loucos que não traem e por crescerem aceitando tamanha diversidade, não julgam para não serem julgados. Obrigada por parir aqui os meus amigos que fecham comigo, os manos zica, os carinhas, os manolos, os "véios" e por ai vai.
São Paulo, minha cidade, eu amo você.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Poder e querer

Sou contra a lei do poder. O poder acaba com as pessoas.
Já diz o ditado: "Dê poder à alguém e descubra quem ela é". Algumas pessoas fecham seu foco na idéia de que precisam de poder para terem destaque. Elas desejam ter algo ou alguém por "poder" ter, para se sentirem realizadas pela notoriedade de possuírem. Quando perdem o que querem, simplesmente a frustração as sega, as destrói. Não querem ouvir, não querem entender; a ferida no ego a desgasta, devastação completa.
A lei do poder é totalmente autodestrutiva pra quem a possiu.
Eu vivia sob a lei do poder, por anos lutando para possuir, para adquirir aquilo que acreditava me sustentar em alguma posição. Eu buscava as coisas ou as pessoas visando o prazer de ser notada pela minha conquista, isso me deixava supostamente satisfeita. Mas a vida nos faz crescer e crescer não é acrescentar coisas em um histórico, crescer é nos acrescentarmos nas coisas, é ter uma personalidade capaz de querer muito, de desejar e ter força de vontade para obter. Quando aprendemos a querer muito, aprendemos que se essa coisa for impossível para nós, ela não é tão vital assim.
Apenas uma coisa me traz satisfação dentro do poder, poder querer muito alguma coisa, desejar com força. Para querer é preciso avaliar se é viável, se o que queremos não é absurdo demais, aprendemos a ter discernimento das coisas, o que nos faz crescer, amadurecer. A busca pelo poder nos diminiu, nos faz regredir. Quem busca muito poder, resolve se auto-mimar, aplicar bajulação em si e se perde, perde o essencial para ser mais do que ter, perde a personalidade.
Por isso queira muito mais porque isso vai te acrescentar individualmente, de dentro para fora. O poder te leva a muitos lugares, porém te esvazia.
Se o seu ego for maior do que a sua personalidade, sinto muito, mas na mesma velociade que você subir, você vai descer.
Não é poder, é querer. O querer move muito, o querer impulsiona, o querer conquista. Tenho o que tenho porque quando quero, quero muito.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ai ai...

Eu fecho os olhos e vou...
Eu vou pra lá, eu vou correndo. É quase palpável, eu sinto o cheiro.
E mesmo quando eu acho que é tudo muito vago, muito sem posição, meu pensamento me trai, ele me arrasta, ele me leva para os incríveis olhos cor de mel.
A boca saliva, as palpebras se expremem, o corpo se recolhe debaixo das cobertas que me isolam do frio e aí eu vou... O voo é sem escalas.
Sim, no meio dessa escrita eu parei e voei. Isso anda acontecendo sempre, juro que não tento nem evitar mais.
Acho que foi o conjunto de coisas, o conjunto de toda a obra. Acho que foi o jeito, o nosso mesmo, porque nada foi individual.
E pra quê escrever mais se o mais importante eu guardei nos meu poros, nos meus olhos, no pescoço e na memória?
Ai ai... lembrar me acaba.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Canção

Dó - Dormir do teu lado, no aconchego dos teus braços. O perfume do teu cabelo, deu vida ao meu travesseiro.
Ré - Repartir em um beijo o gosto do meu desejo, repartir num abraço palavras sem compasso.
Mi - Milhões de momentos que eu procuro nem lembrar para não sentir necessidade, saudade, qualquer coisa que me faça sonhar.
Fá - Fazer da tua voz, trilha que me faz sair daqui, eu fecho os olhos no silêncio e soa no fundo do peito um dueto que me faz sorrir.
Sol - Sólo quiero saber entender qué no el amor y no el abandono. Para aprovechar todo lo que está en ti.
Lá - Lacrimejar os olhos, mas não chorar... Lá se vai a minha única esperança de não sentir vontade, a realidade de não esperar.
Si - Sinto que estou deixando de pulsar por pedra, sinto que tô pulsando com o coração. Eu tenho medo disso tudo, era bom quando era só razão.
Hormoniza isso tudo, porque eu não sei ritimar. Meu compasso é meio mudo, não aprendi a tocar. Desfaz os trio, vem ser dueto, deixa de anoitecer enquanto eu amanheço.
Compõe em mim todas essas canções, só não faça cantar em falsete os nossos corações.
Há tempos, meu tenor, não te permiti arranjar meu repertório, ser maestro de mim, hoje em poesia e prosa, te peço que me afine e escreva sua canção em nossa vida com início, meio e sem fim.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Amigo.

Por muito tempo eu me questionei se na vida haveria alguém no qual eu pudesse confiar além do meu querido Deus. E então procurei, procurei e enfim, pensei que havia encontrado. Me decepcionei.
Um dia, sem mais "porquês", sem explicações, do nada me apareceu alguém digno da minha confiança, que desestruturou a minha cara amarrada, me cativou.
E pra quê tantas palavras, quando uma só suprime todas elas? AMOR
Quando a pergunta é: "Você me mataria se...?", sem hesitar respondo: "Só pensaria em te matar se fosse te sufocando em um abraço"

Não consigo mais falar tanto, me fogem as palavras.
Não existe algo que defina essa amizade.